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Set 10
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Nuvem de palavras!

Wordle: Crónicas 2

publicado por JCM às 09:13 | comentar | favorito
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Set 10
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Acupunctura Urbana para a Retoma (Crónicas d’Avenida - # 3)

‎Jaime Lerner, um conhecido arquitecto-urbanista brasileiro, antigo Prefeito de Curitiba no Brasil, dizia recentemente numa entrevista (Público, 26 Set. 2010) que ‘o planeamento urbano apesar de necessário é lento, pelo que às vezes as cidades precisam de uma acção cirúrgica pontual, que crie uma nova energia’, que ele designou como ‘acupunctura urbana’.

Segundo o especialista, estas acções têm de procurar contribuir para o ‘equilíbrio vital das cidades, dando prioridade à sua vivência social e animação económica’ e, ao mesmo tempo, ajudar a promover o conceito de ‘cidade compacta’.

O interesse desta abordagem está também relacionado com a sua geometria variável já que é possível concebê-la em projectos de micro-escala – recuperação de edifícios devolutos com programas funcionais inovadores – ou em iniciativas de grande escala – ‘projectos urbanos’.

Contudo, o autor refere que existem alguns atributos indispensáveis para que estas iniciativas resultem: ‘uma sólida base técnica, sensibilidade para os problemas urbanos, sentido colectivo para encontrar soluções, intuição para orientar as acções, capacidade de síntese para transmitir as propostas, habilidade mediática para comunicar as mensagens e, sobretudo, vontade e liderança política’ (Acupunctura Urbana, Lerner, J, 2005).

Curiosamente, na semana passada, Leonel Moura sugeriu uma ideia que se enquadra neste conceito de ‘acupunctura urbana’. Referia o artista plástico que 'as autarquias deveriam apostar na criação de centros de criatividade, através da disponibilização gratuita de espaços de encontro, cooperação e produção, algo semelhante a pequenas fábricas do fazer criativo, ou centros para instalação de pequenas empresas, ateliers e projectos dedicados à criatividade e inovação, como é o caso da Lx Factory em Lisboa' (Jornal de Negócios, 17 Set 2010).

As cidades portuguesas podiam estudar e reflectir sobre este conceito de ‘acupunctura urbana ligada à criatividade’ construindo uma rede de projectos públicos dedicados à ‘criatividade e inovação’, localizados em espaços nucleares das cidades e mobilizando as comunidades, os agentes culturais e criativos e os centros de saber e conhecimento para a sua concepção, implementação e gestão.

Num momento de grave crise económica e financeira como a que atravessamos este poderia ser um importante contributo das cidades para a retoma e um pequeno alívio para algumas das tormentas que nos assolam.

Contudo, é preciso ter algum cuidado para estes projectos não se traduzam em iniciativas tão mediáticas quanto inconsequentes. Como dizia Lerner ‘estas iniciativas têm de ser rápidas e bem pensadas senão a agulha começa a doer’.

José Carlos Mota

publicado por JCM às 17:00 | comentar | favorito
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Set 10
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As árvores e o planeamento da Avenida (Crónicas d’Avenida - # 2)

As árvores e o planeamento da Avenida [Crónicas d’Avenida #2]

 

Algumas notícias publicadas recentemente na comunicação social (JN e DA) chamavam a atenção para o facto da autarquia aveirense na última reunião do executivo ter tomado, por unanimidade, a decisão de abater quarenta e quatro choupos na Avenida Lourenço Peixinho pelo facto destes ‘oferecerem perigo para a segurança de pessoas e bens’.

Não estando em causa a necessidade da autarquia agir tendo em conta o risco existente, talvez se justifique alguma reflexão sobre a metodologia utilizada para responder ao problema.

Importa referir, antes de mais, que esta é uma intervenção sem paralelo na história da cidade, pois pretende abater mais de 50% das árvores da sua avenida central, sem previsão definida de replantação, realizando-se num espaço de enorme valor simbólico e que tem vindo a ser penalizado por um significativo ‘processo de desqualificação e perda de atractividade’ (O futuro da Avenida Dr. Lourenço Peixinho, CM Aveiro, 2008).

Ribeiro Telles e Francisco Caldeira Cabral referem numa das suas obras emblemáticas (A árvore em Portugal, 1993) que as árvores urbanas desempenham um papel fundamental nas cidades pois ‘reduzem a poluição atmosférica, diminuem os níveis de ruído e a velocidade do vento e suavizam as temperaturas, para além do seu valor estético’. Algumas destas características apresentam uma relevância significativa para a Avenida pelo facto de aí terem sido detectados problemas ambientais graves nomeadamente elevados valores de poluição por partículas e monóxido de carbono, acima dos limites fixados pela legislação (Carlos Borrego, Colóquio ‘o futuro da Avenida Dr. Lourenço Peixinho’, Novembro de 2008).

Importa acrescentar que os Princípios Orientadores de intervenção para o futuro da Avenida, definidos recentemente pela CMA, consideram no domínio da ‘qualificação das intervenções’ (princípio 16) que ‘a arborização é considerada como fundamental como elemento estético, paisagístico, ecológico e de sombreamento e protecção do peão’.

Por tudo isto, não se pode deixar de lamentar que uma decisão desta natureza (e amplitude) seja tomada como uma medida sectorial, que vise resolver um dos problemas, sem equacionar outras dimensões igualmente relevantes, e seja executada como uma medida administrativa não tomando em conta a sensibilidade do assunto e a necessidade de informar previamente os cidadãos das razões ponderadas que suportam a drástica decisão.

A delicadeza do assunto e as críticas recentes à falta de informação em processos relevantes para o futuro da cidade (Praça Melo Freitas, Ponte Pedonal do Rossio, Via Rodoviária do Alboi, Parque da Sustentabilidade) recomendaria que este momento pudesse ser aproveitado para partilhar com os cidadãos os critérios e a razões que suportam esta delicada decisão.

Tendo em conta as dúvidas que a parca informação disponível suscitou em cidadãos e especialistas na matéria, seria importante que a autarquia desse a conhecer publicamente o estudo que justificou a decisão do abate das 44 árvores para que se possa perceber a sua fundamentação e os planos que tem preparado para minimizar a situação e futura replantação, para equacionar o seu desenvolvimento de forma gradual e, eventualmente, solicitar uma segunda opinião sobre esta matéria.

Finalmente, seria igualmente importante que a autarquia clarificasse a forma como pretende articular esta intervenção com o projecto de requalificação da Avenida, que se iniciou há quase dois anos.

publicado por JCM às 17:19 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Set 10
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Set 10

Poder e racionalidade - os movimentos cívicos (Crónicas d’Avenida - # 1)

Crónicas d’Avenida - # 1 – Poder e racionalidade - os movimentos cívicos

Rádio Terranova, 15 Setembro

José Carlos Mota

 

As Crónicas d’Avenida são um espaço de opinião que irá para o ar às quartas-feiras de manhã e que responde ao um amável convite da Rádio Terranova. Estas crónicas irão procurar dar um pequeno contributo para qualificar e valorizar o debate sobre o futuro da cidade alargada de Aveiro a partir de reflexão produzida sobre outras realidades.

A propósito de um Estudo de Caso de planeamento da cidade de Aalborg, na Dinamarca, o investigador Bent Flyvbjerg (Rationality & Power – Democracy in practice, 1998) conclui que ‘quanto maior o poder menor a racionalidade’. O autor explica que o ‘poder está sobretudo preocupado com a definição da realidade, mais do que com o conhecimento de como ela funciona’ referindo ainda ‘a liberdade que esse poder dispõe para não apresentar a racionalidade que suporta as suas decisões’. O autor finaliza referindo que ‘em sociedades democráticas o argumento racional é uma das poucas formas de poder que os cidadãos ainda dispõem’.

Estas conclusões aplicam-se de forma clara à realidade em Portugal e, em particular, à realidade recente em Aveiro. Muitas intervenções de planeamento visam intervir numa determinada realidade sem perceber como ela funciona e, por isso, sem antecipar os seus possíveis impactos. Para além disso, o poder tende, frequentemente, a negligenciar a clarificação das razões que suportam os seus investimentos.

É por isso natural que, face a esta situação, surjam movimentos cívicos, como os Amigosd’Avenida, que procurem acentuar a necessidade clarificar a racionalidade que está por detrás dos projectos e processos que têm a ver com o planeamento do futuro da cidade.

A complexa relação entre o poder e a racionalidade é ‘um sinal da fragilidade da nossa democracia’ e um alerta para não a assumirmos por adquirida. A democracia tem de ser procurada todos os dias nas diversas instâncias e se os cidadãos não se envolverem nesta luta, ela provavelmente deixará de existir. A intervenção dos grupos cívicos deve ser olhada, sobretudo, como um estímulo para melhorar a gestão da coisa pública e o funcionamento da nossa democracia local.

 

publicado por JCM às 14:29 | comentar | favorito
10
Set 10
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Set 10

Animação do Espaço Público

Num momento em que se assiste em Aveiro a uma crescente discussão à volta dos eventos no espaço público - qualidade, pertinência, localização e resultados/impactos - vale a pena relembrar o contributo dos Amigosd'Avenida para a reflexão sobre a 'política de animação do espaço público' (http://manifestopelacidade.blogs.sapo.pt/).

Este contributo tomou a forma de um manifesto que, recordo, foi subscrito por todos os partidos nas últimas eleições autárquicas, o que reflectia um relativo consenso relativamente à importância desta matéria.

Como foi dito na altura, Aveiro tem condições únicas para se afirmar como um centro inovador e reconhecido na forma como 'anima e qualifica o seu espaço público' pois dispõe de recursos e competências relevantes na matéria (conhecimento/saberes, tecnologias e infra-estruturas).

Eu acrescentaria, agora, que o desafio passa por fazer repercutir esses recursos/competências na qualificação das suas vivências sociais e culturais [aprofundando o seu significado], no desenho e apetrechamento do espaço público [equacionando prioridades e afinando critérios, que como vimos por casos recentes têm de ser discutidos] e na animação da sua base económica local [a clarificar e quantificar], tanto mais que outros centros, mais ou menos próximos, vão dando passos longos nesse sentido (CCTAR, Público 7SET; Rede de Economias Criativas, Expresso 7 Set).

Registo um exemplo que considero particularmente interessante e conseguido de intervenção no espaço público - exposição fotográfica 'à flor da Água' de José Pimentel/ Sara Biaia, promovido pela CMA & Via Publicitária (http://www.aflordaagua.blogspot.com/).

Acontece que existem outros menos conseguidos e que justificam uma avaliação rigorosa dos seus objectivos e resultados, à luz do que devem ser os princípios de uma política de animação do espaço público (que o Manifesto acima referido constitui um pequeno contributo).

Julgo que estamos perante uma interessante oportunidade de mobilização esforços, saberes e boas vontades perante um desígnio relevante - criação de uma dinâmica de animação e qualificação do espaço público - que nos pode (e deve) unir a todos.

JCM
publicado por JCM às 09:49 | comentar | favorito